Lição 10. Universos, Art-Net, sACN

Esta lição é para quem já cresceu até um local grande. Dois sinais de que você precisa dela: os canais acabaram (há tantos aparelhos que 512 canais já não bastam) ou os aparelhos se conectam pela rede (aparelhos e dimmers modernos vêm cada vez mais com conector LAN no lugar do DMX, ou junto com ele). Vamos ver os dois casos do jeito mais simples possível.

Primeiro, vamos acertar as palavras

Um universo é uma linha DMX: um cabo, uma cadeia de aparelhos, 512 canais. Tudo o que fizemos até agora vivia em um único universo — e ele dá conta de uns dez ou vinte aparelhos.

Mas imagine 40 moving heads de 16 canais cada: são 640 canais, e isso não cabe em uma linha. A solução foi inventada faz tempo: pegar vários universos — várias linhas independentes de 512 canais. Universo 1, universo 2, universo 3… Cada um tem os seus 512 canais e os seus endereços (o endereço 1 do universo 1 e o endereço 1 do universo 2 são aparelhos diferentes e não atrapalham um ao outro).

Art-Net e sACN são maneiras de transportar DMX por uma rede de computadores comum (pelo mesmo cabo Ethernet ou roteador Wi-Fi da internet). Para quê: um único cabo de rede pode levar muitos universos de uma vez — não é preciso um dongle USB por linha. Do lado dos aparelhos quem recebe o sinal é um (node — uma caixinha “rede → conectores DMX”) ou o próprio aparelho, se ele tiver LAN.

Qual a diferença entre Art-Net e sACN? Na prática, quase nenhuma: são dois “dialetos” da mesma coisa. Escolha o que o seu nó ou aparelho suportar (muitas vezes suportam os dois; o sACN é o padrão mais novo).

Passo 1. Distribuindo os aparelhos pelos universos

Cada aparelho no Patch tem um campo “Universo” (ao lado do endereço). Por padrão todos estão no 1 — tudo como antes. Para passar um aparelho para a segunda linha, basta colocar nele o universo 2.

📍 Onde: “Patch” → a coluna “Universo” na tabela (ou o campo “Universo” no editor do aparelho).
Fig. 2 — Patch: atribuindo um universo a um aparelho
Fig. 2 — Patch: atribuindo um universo a um aparelho
💡 Conferida: no modo Console aparecem em cima botões para trocar de universo — dá para olhar os canais de cada linha separadamente.

Passo 2. Ligando a saída pela rede

Agora vamos dizer ao programa para onde mandar esses universos.

📍 Onde: o botão “DMX” no cabeçalho → no painel de dispositivos abra o subtítulo “Art-Net / sACN”.

Essas são saídas de rede — ao contrário do dongle USB, elas “estão sempre lá” (a rede está aí), então não se conectam sozinhas: são configuradas na mão.

Se você escolheu Art-Net:

Campo O que preencher
IP O endereço do seu nó (vem escrito no nó ou nas configurações dele)
Universo 1 → Para qual universo de rede vai o seu universo 1 (normalmente 0 ou 1 — veja as configurações do nó)

Se você escolheu sACN: é igual — “Universo 1 →” e a prioridade (deixe no padrão; ela só importa quando há mais de uma fonte de sinal).

💡 Não é preciso caçar o IP na mão. Nesse mesmo painel há o botão “Procurar dispositivos na rede”: o programa varre a rede sozinho e mostra os nós Art-Net encontrados, com o endereço e o número de saídas de cada um. Achou o seu? Escolha da lista, sem copiar números do adesivo. Está vazio? Então o nó está em outra rede ou desligado — o que já é uma pista de onde procurar a causa.

Escolheu, preencheu, apertou “Conectar” — o status DMX no cabeçalho acende e a luz já vai pela rede.

Fig. 3 — O painel DMX: as configurações do Art-Net (IP, Universo 1 →)
Fig. 3 — O painel DMX: as configurações do Art-Net

Passo 3. Como os universos “se encontram”

A regra principal do mapeamento é simples: o campo “Universo 1 →” define o ponto de partida, e daí em diante tudo se organiza sozinho, em ordem.

Por exemplo, se você colocar zero em “Universo 1 →”:

No programa Vai para a rede como universo
Universo 1 0
Universo 2 1
Universo 3 2

Se colocar um, serão 1, 2 e 3. Não há tabela nenhuma para configurar: define a base e os outros universos entram na fila atrás dela.

⚠️ Atenção: o dongle USB só dá conta do universo 1. Se você tem aparelhos nos universos 2 e 3, a saída deles vai pela rede (Art-Net/sACN). Dá para combinar: o universo 1 pelo adaptador USB de sempre e o resto para a rede.

Passo 4. Conferindo

  1. O nó está ligado na mesma rede do computador (por cabo no roteador ou direto).
  2. No programa: “DMX” → Art-Net/sACN configurado → “Conectar” → o status aceso.
  3. Abra o Console, escolha o universo 2 e suba o fader de um canal do aparelho — o aparelho da segunda linha deve responder.

Não respondeu? Três causas comuns: o IP do nó está errado; o nó e o computador estão em redes diferentes (confira se estão no mesmo roteador); a base “Universo 1 →” não bate com a configuração do nó (tente 0 em vez de 1, ou o contrário — essa é a confusão mais comum no mundo Art-Net).

Resumindo

  • Universo = uma linha DMX de 512 canais; não bastou — pega a segunda, a terceira…
  • No Patch cada aparelho tem o campo “Universo” — você distribui os aparelhos pelas linhas, e os endereços são contados separadamente em cada linha.
  • Art-Net/sACN = DMX por uma rede comum: um cabo leva muitos universos e, do outro lado, há um nó ou um aparelho com LAN.
  • A configuração fica no painel DMX: o IP do nó e a base “Universo 1 →”; depois os universos seguem em ordem sozinhos (base+1, base+2…).
  • O dongle USB só entrega o universo 1 — o resto vai pela rede; dá para combinar os dois.

Na próxima lição vamos ver como o assistente de IA cria cenas, chases e presets prontos a partir da sua descrição.