Lição 9. Importar e o construtor
Esta lição serve para duas situações. A primeira: você está migrando de outro programa (QLC+, FreeStyler, grandMA2/MA3) e não quer configurar tudo de novo. A segunda: o seu aparelho não está na biblioteca, mas existe um arquivo de perfil em algum lugar — ou vai ser preciso montá-lo do zero. Vamos ver todos os caminhos: importar arquivos, trazer um projeto inteiro, o construtor e a troca de perfis com outros usuários.
Antes vamos lembrar uma palavra da primeira lição: o perfil é o “passaporte” do modelo do aparelho, aquele que descreve o que cada canal faz. Tudo nesta lição gira em torno dos perfis.
Passo 1. Importando um perfil de um arquivo
Muitos programas têm os seus próprios formatos de arquivo de perfil. O SvetoMaster lê no momento cinco:
| Formato | De onde |
|---|---|
| .svf | Perfil do SvetoMaster (mandado por outro usuário, por exemplo) |
| .fxt / .pff | Perfis do programa FreeStyler |
| .qxf | Perfis do programa QLC+ |
| .xml | Perfis do grandMA2 (inclusive os convertidos de GDTF) |
| .gdtf | O formato do setor GDTF — com ele trabalham o grandMA3, o Onyx, o Capture, o Depence e outros |
O aparelho aparece no patch e o editor de canais dele abre na hora, para você conferir com os próprios olhos que está tudo no lugar.

Passo 2. Trazendo um projeto inteiro do QLC+
Se você vinha trabalhando no QLC+, não é preciso refazer o show do zero: o SvetoMaster sabe importar o projeto inteiro, o arquivo .qxw. Vêm junto aparelhos, cenas e chases.
Como acontece:
- Você escolhe o arquivo .qxw.
- O programa mostra uma janela-relatório: quantos aparelhos reconheceu com exatidão, quantos casou por aproximação e quantas cenas e chases vai trazer. Nada de surpresa no escuro.
- Você confirma — e o projeto é substituído pelo importado.
A importação de um projeto do FreeStyler é parecida. Mas nem todas as funções podem ser trazidas, e você recebe o aviso correspondente. Isso vem do jeito como um projeto do FreeStyler é feito.
Passo 3. O construtor — montando um aparelho fora do padrão
Primeiro, para que isso serve. Num PAR simples está tudo à vista: o canal de brilho e os canais de vermelho, verde e azul — por essa lista já se entende como ele ilumina. Já num aparelho complexo o DMX “pelado” não diz mais como ele fica em funcionamento: qual é cada feixe da “aranha”, para onde olha cada segmento da matriz, que desenho se esconde atrás do número da roda de gobos. O programa só vê “o canal 7 vale 128” — mas não sabe que isso quer dizer “o terceiro feixe girou” ou “o gobo é uma estrela”. O perfil estendido corrige as lacunas da especificação DMX512 e acrescenta o que falta: a geometria do aparelho (a forma, a disposição dos feixes) e os nomes das posições da roda de gobos e da roda de cores. Aí o visualizador desenha o aparelho parecido com a realidade e o assistente de IA entende o que está comandando. Sem ele, um aparelho complexo funciona em “modo de compatibilidade” — ilumina, mas no básico.
E aí esse aparelho não está nem na biblioteca nem em arquivo nenhum, e o que você tem é uma “aranha” rara, uma matriz de led, uma cabeça de vários feixes. Para esses casos existe o construtor — um assistente passo a passo que monta o perfil do zero.
Como a montagem acontece:
- Que aparelho é? Você responde a duas perguntas: a cabeça gira, como os feixes estão dispostos (um, em linha, em matriz, em leque) — e o programa deduz sozinho a “forma” do aparelho.
- Canais. O passo mais agradável: abra o manual do aparelho na página da tabela de canais e simplesmente redigite ela como lista, uma linha por canal:
1: Pan
2: Tilt
3: Dimmer
4: Red
5: Green
6: Blue
O programa analisa a lista sozinho e entende o que cada canal faz.
- Prévia. À direita já se vê como o aparelho vai ficar no visualizador. Parece certo? Aperte “Salvar” e o aparelho aparece no patch.

Passo 4. Trocando perfis de aparelhos
Montou um perfil raro — não deixe ele na gaveta: dá para compartilhar com todos os usuários do programa.
Dar o seu:
Pegar o de outra pessoa:
Na biblioteca de perfis os resultados da busca vêm de duas fontes: a base interna (milhares de perfis conferidos, funciona sem internet) e “Da comunidade” — perfis compartilhados por outros usuários. Nos perfis da comunidade aparece o status (“Aprovado”, “Em votação”), o número de downloads e as notas 👍.

Resumindo
Agora nem a mudança nem um aparelho raro assustam:
- importar arquivos — .svf, FreeStyler (.fxt/.pff), QLC+ (.qxf, com escolha de modo), grandMA2 (.xml) e GDTF (.gdtf), o formato do setor que é comum com o grandMA3;
- trazer um projeto do QLC+ (.qxw) — aparelhos, cenas e chases com um relatório claro (e o backup automático como seguro);
- o construtor — um aparelho fora do padrão a partir do manual: perguntas → lista de canais → prévia → pronto;
- a troca com a comunidade — compartilhar o seu, baixar o de outro, avaliar e ajudar os demais.
O que vem a seguir: na próxima lição, os locais grandes: o que fazer quando 512 canais não bastam e como mandar luz pela rede com Art-Net e sACN.