Fundamentos 6. Cor: RGB, RGBW, disco de cores e CMY

A cor é a primeira coisa que o público percebe e a primeira em que o iniciante tropeça: você escolhe um turquesa lindo no programa e o refletor entrega um verde turvo. Ou dois aparelhos aparentemente iguais, com os mesmos valores, acendem em tons diferentes. Nada disso é defeito: é assim que os aparelhos fabricam cor. Vamos entender — e, de quebra, descobrir por que o branco é a cor mais teimosa.

A luz soma, não mistura

A primeira coisa a reprogramar na cabeça: a luz não se comporta como tinta. Misturando tinta você subtrai — quanto mais cores, mais escuro e mais sujo. Misturando luz você soma — quanto mais cores, mais claro e mais brilhante.

Isso se chama mistura aditiva. As três primárias são vermelho, verde e azul:

O que somamos O que sai
Vermelho + Verde Amarelo
Verde + Azul Ciano
Vermelho + Azul Magenta
Vermelho + Verde + Azul Branco
Fig. 1 — Mistura aditiva: três círculos de luz e as cores nas interseções
Fig. 1 — Mistura aditiva: três círculos de luz e as cores nas interseções

É exatamente assim que funciona a imensa maioria dos aparelhos modernos: dentro há LEDs de três cores, e você define o brilho de cada um pelo seu canal. Esses aparelhos são chamados de RGB ou «3 em 1»: três chips na mesma carcaça.

💡 Dica: quando quiser um tom específico, não pense «quanto de azul eu acrescento», e sim «quais das três lâmpadas estão acesas e com que intensidade». Laranja é vermelho no máximo mais cerca de um terço de verde. Rosa é vermelho no máximo mais um pouco de azul. Dois minutos de teste num aparelho real explicam isso melhor que qualquer tabela.

Por que o branco é a cor mais difícil

Formalmente, branco é R255 + G255 + B255. Na prática ele sai frio, azulado ou meio esverdeado: LEDs de cores diferentes têm brilhos e espectros diferentes, e casá-los perfeitamente é difícil. No vídeo esse branco fica ainda pior, porque a câmera acentua o desequilíbrio.

Por isso os fabricantes acrescentam chips adicionais:

Denominação O que tem dentro O que entrega
RGB (3 em 1) Vermelho, verde, azul O conjunto básico; branco medíocre
RGBW (4 em 1) + Branco Um branco decente e tons pastel
RGBWA (5 em 1) + Âmbar Tons quentes, luz «de lâmpada»
RGBWA+UV (6 em 1) + Ultravioleta Tudo o que está acima mais efeito UV

Daí uma regra prática: se o aparelho tem canal de branco próprio, use-o em vez da soma das três cores. A luz fica mais limpa e o aparelho esquenta menos.

💡 Dica: o branco quente (para casamentos, banquetes, luz «aconchegante») em um aparelho RGBWA se faz assim: branco no máximo mais um pouco de âmbar. Em um RGB simples: vermelho no máximo, verde pela metade e um toque de azul.

O brilho se muda com o dimmer, não com a cor

Erro comum: para diminuir um vermelho, o iniciante abaixa o valor do canal vermelho. Tecnicamente a luz fica mais fraca, mas junto com ela o tom se desloca e, em alguns aparelhos, aparece tremulação em valores baixos.

O certo é: a cor é definida pelos canais de cor e o brilho, pelo canal Dimmer. Assim o tom continua idêntico em qualquer nível e os fades lentos ficam limpos.

⚠️ Atenção: parte dos aparelhos baratos não tem canal de intensidade geral — a atenuação é feita só pelos canais de cor. Isso aparece na tabela de canais: se não há Dimmer, não há alternativa. Esses aparelhos se comportam pior em fades lentos.

Disco de cores: cor como lista, não como mistura

Aparelhos potentes com lâmpada (moving heads spot, scanners, refletores antigos) não têm LEDs: a cor é feita mecanicamente, por um disco com filtros de vidro que gira na frente da lâmpada. É controlado por um único canal que funciona como uma lista:

Valor do canal O que há no facho
0–9 Branco (posição aberta)
10–19 Vermelho
20–29 Laranja
30–39 Azul
200–255 Giro contínuo do disco: quanto maior o valor, mais rápido
Fig. 2 — Disco de cores: um conjunto de filtros prontos em vez de mistura gradual
Fig. 2 — Disco de cores: um conjunto de filtros prontos em vez de mistura gradual

Daí saem duas particularidades que surpreendem os iniciantes:

  • Não existem cores intermediárias. Você escolhe de um conjunto fechado, normalmente de 7 a 14 posições. Não dá para ir suavemente do vermelho ao azul: o disco simplesmente gira passando pelos filtros do meio.
  • Existem as «metades». Se você colocar um valor entre duas posições, o disco para no meio do caminho e o facho recebe duas cores ao mesmo tempo: metade da mancha de uma cor, metade de outra. É um recurso bonito, embora no teatro costume ser indesejado.
💡 Dica: em aparelhos com disco, procure na tabela de canais não só Color, mas também Color Macro — esse segundo canal costuma trazer combinações prontas e modos de giro.

CMY: cor gradual em aparelhos caros

Os aparelhos profissionais com lâmpada usam um terceiro método: a mistura CMY. Três filtros entram no facho: ciano (Cyan), magenta (Magenta) e amarelo (Yellow). Cada um cobre gradualmente parte do espectro. É mistura subtrativa, aquela «igual a tinta»: quanto mais filtro entra, mais escura e saturada fica a cor.

Como se define Resultado
Todos os filtros fora (0, 0, 0) Branco
Só Cyan Ciano
Cyan + Yellow Verde
Magenta + Yellow Vermelho
Os três no máximo Quase preto (o facho fica bloqueado)

A vantagem do CMY é a suavidade: as transições ficam cinematograficamente macias e qualquer tom está disponível. A desvantagem é o preço e a perda de intensidade: os filtros comem parte da luz.

Ao lado do CMY, na tabela de canais aparecem com frequência CTO e CTB, filtros de correção de temperatura de cor. O CTO esquenta o branco (na direção da incandescente) e o CTB o esfria (na direção da luz do dia). Servem para casar aparelhos diferentes entre si ou ajustar a imagem para a câmera.

Por que os mesmos valores dão cores diferentes

Uma situação que certamente vai acontecer: dois refletores de modelos diferentes, ambos em «azul», acendendo de jeitos diferentes. Os motivos são simples:

  • LEDs diferentes. O espectro varia entre lotes e fabricantes — nota-se principalmente no azul e no verde.
  • Conjunto de chips diferente. RGB e RGBW dão brancos diferentes e pastéis diferentes.
  • Curva de dimerização diferente. O valor 128 é metade do brilho em um aparelho e bem mais (ou bem menos) em outro.
  • Mecânica contra LED. Um aparelho com disco de cores nunca vai bater de tom com um banho RGB.

O que fazer na prática:

  1. Igualar no olho, não pelos números. Coloque os aparelhos lado a lado, chame a cor e ajuste os valores daquele que está destoando.
  2. Não persiga a coincidência exata entre classes diferentes de aparelho. Muitas vezes é melhor dividir os papéis: uma cor para o banho, outra para os fachos.
  3. Conferir na câmera se o evento for filmado. A câmera reproduz pior que o olho os azuis saturados e os vermelhos profundos; às vezes vale baixar um pouco a saturação.
💡 Dica: salve como presets as cores que funcionam. Depois de acertar uma vez o «âmbar quente para a primeira dança», você a chama com um clique, em vez de mexer em três controles toda vez.
📍 Como isso aparece no SvetoMaster: a cor é escolhida com o mouse — pela paleta ou pelo círculo cromático — e o programa a distribui pelos canais de cada aparelho: três canais num banho RGB, o filtro mais próximo num aparelho de disco, três filtros num de CMY. Os tons que você gostar ficam salvos como presets de cor e se aplicam a qualquer conjunto de aparelhos; e no modo ao vivo há botões de cores rápidas para repintar o salão inteiro com um toque.

Resumindo

  • A luz se mistura de forma aditiva: quanto mais cores, mais claro; V+V = amarelo, V+V+A = branco.
  • Os aparelhos são RGB, RGBW, RGBWA, RGBWA+UV — os chips extras existem sobretudo para um branco decente.
  • O brilho se muda pelo canal Dimmer, e não pelos canais de cor.
  • O disco de cores é uma lista fechada de filtros: sem tons intermediários, mas com «metades» e giro.
  • O CMY é mistura subtrativa gradual em aparelhos caros; CTO/CTB corrigem a temperatura do branco.
  • Os mesmos valores dão tons diferentes em aparelhos diferentes — iguale no olho e salve as boas cores como presets.

A seguir: a próxima aula é sobre moving heads: o que são pan e tilt, por que às vezes o moving head «se arrasta», o que são gobo e prisma e para que servem zoom, foco, íris e frost.