Fundamentos 5. O zoológico dos aparelhos: quem é quem na iluminação

As quatro primeiras aulas foram sobre a língua: canais, endereços, perfis. Agora vamos conhecer quem escuta essa língua — os próprios aparelhos. São muitos nomes e eles soam estranhos («wash», «beam», «blinder», «hazer»), mas por trás de cada um há uma ideia simples: com o que o aparelho desenha no salão. Vamos ver do que cada um é capaz, quantos canais consome e do que um iniciante realmente precisa.

Três perguntas que explicam tudo

Qualquer aparelho de iluminação se descreve com três respostas:

  1. O que ele faz com a luz — inunda uma área grande com luz suave, joga um facho estreito, desenha uma figura no chão ou simplesmente pisca.
  2. Se ele se mexe — fica parado ou gira com motores.
  3. Quantos canais ocupa — de um a quarenta.

Aparelhos estáticos: luz sem movimento

Fig. 1 — Aparelhos estáticos: PAR, painel de LED, barra de LED, estroboscópio, blinder, ultravioleta
Fig. 1 — Aparelhos estáticos: PAR, painel de LED, barra de LED, estroboscópio, blinder, ultravioleta

PAR — o burro de carga de qualquer casa. Um cilindro curto, ou «lata», cheio de LEDs, que joga para a frente uma mancha larga e macia. São os PARs que banham o palco de cor e montam o fundo geral. Baratos, confiáveis, leves. Normalmente de 3 a 8 canais.

Painel de LED / refletor wash — mesma função do PAR, mas com mancha mais uniforme e potente; muitas vezes com ângulo ajustável (zoom). Usado para cobrir áreas grandes e iluminar paredes.

Barra de LED — uma régua comprida com LEDs. Há dois tipos: a comum (todos os LEDs na mesma cor, 3–8 canais) e a de pixel, em que cada segmento é controlado separadamente. Uma barra de pixel com 8 segmentos RGB come 24 canais ou mais, mas consegue fazer uma «onda» dentro de si mesma.

Estroboscópio — um aparelho feito para um único efeito: flashes rápidos e intensos. Poucos canais (2–4): intensidade, frequência e, às vezes, duração do flash. Um strobo potente consegue «congelar» o movimento da pista.

Blinder — lâmpadas grandes e quentes viradas para o público. A função é ofuscar por um segundo no auge da música. Normalmente de 1 a 4 canais.

Ultravioleta (luz negra) — emite UV invisível, e por isso roupas brancas e tintas especiais começam a brilhar. Efeito de festa, de 1 a 4 canais.

Bloco de dimmer — uma caixa com várias tomadas que regula por DMX o brilho de lâmpadas incandescentes comuns. Um canal por tomada. Se você tem um teatro com iluminação antiga, quase certamente ele é comandado por um bloco desses.

Decodificador de fita de LED (controlador de pixel) — transforma uma fita RGB comum em um aparelho DMX. Útil para iluminar o bar, a boca de cena ou a cenografia.

⚠️ Atenção: aparelhos potentes às vezes têm fonte própria e exigem uma tensão mínima. A parte elétrica é detalhada na aula onze.

Aparelhos móveis: luz que se desloca

Fig. 2 — Aparelhos móveis e de efeito: moving head spot, moving head wash, beam, scanner, derby
Fig. 2 — Aparelhos móveis e de efeito: moving head spot, moving head wash, beam, scanner, derby

Moving head — um aparelho sobre dois motores: um gira na horizontal (pan) e o outro inclina (tilt). O moving head é a classe mais versátil e a que mais devora canais, de 8 a 40. O funcionamento dele é detalhado na aula sete. São três variedades:

Tipo de moving head Facho Para quê
Spot Estreito, nítido, com gobos Fachos, desenhos no chão, acentos
Wash Largo, macio, sem borda definida Banhos de cor, iluminar pessoas e cenário
Beam Coluna de luz bem estreita e densa «Espadas» na fumaça, grafismos no ar

Também existem híbridos 2 em 1 e 3 em 1: um moving head que faz spot, wash e beam. Custam mais, mas substituem três aparelhos.

Scanner — o irmão mais velho do moving head: a lâmpada fica parada e o facho é desviado por um espelho. Move-se bem mais rápido, mas cobre um ângulo menor. Hoje aparece menos, porém sai barato no mercado usado.

Aparelhos de efeito («derby», «flor lunar», multifacho) — caixinhas baratas que espalham dezenas de fachos coloridos pelo salão. Poucos canais (3–9). Vivem em baladas e bares: muito efeito por pouco dinheiro, mas o controle é grosseiro — em geral só escolha de modo e velocidade.

Laser — capítulo à parte. Por DMX costumam ser controlados apenas os parâmetros básicos (ligar, escolher a figura, velocidade, cor), enquanto shows complexos são desenhados por software próprio via conector ILDA.

⚠️ Atenção: o laser é a única classe de aparelho capaz de machucar um espectador. Nunca aponte os fachos para a altura dos olhos do público nem opere o laser fora das condições indicadas pelo fabricante.

Atmosfera: sem ela metade do efeito se perde

Um facho só aparece no ar quando há partículas em suspensão. Num salão limpo, um moving beam deixa só uma mancha no chão; com uma névoa leve, surge aquela «espada» densa.

Aparelho O que dá Particularidades
Máquina de fumaça Nuvens densas de fumaça Esquenta, consome muita energia, a fumaça aparece «em nuvens»
Hazer Névoa uniforme e invisível Ideal para os fachos: não parece fumaça e dura mais
Fumaça baixa (low fog) Rasteja pelo chão Precisa de gelo ou de uma máquina específica; ótima para a primeira dança
Bolhas, neve, confete Efeitos especiais Controlados por DMX do mesmo jeito, normalmente com 1 ou 2 canais
💡 Dica: se o orçamento obrigar a escolher entre «mais um refletor ou um hazer», compre o hazer. Ele torna visível o trabalho de todas as outras luzes e dobra visualmente o seu equipamento.
⚠️ Atenção: máquinas de fumaça lançam no ar partículas às quais detectores de incêndio antigos reagem. Em uma casa desconhecida, avise sempre a administração e confirme se o alarme é desativado durante o evento.

Quantos canais cada classe consome

Uma tabela aproximada — útil na hora de calcular se o seu equipamento cabe em 512 canais.

Classe de aparelho Canais típicos Comentário
Blinder, UV, strobo 1–4 Bem simples
PAR, barra de LED comum 3–8 Depende do número de cores e do strobo
Aparelho de efeito («derby») 3–9 Muitas vezes só modos e velocidade
Máquina de fumaça, hazer 1–2 Emissão e ventilador
Barra de pixel 20–100 Cada segmento com o seu conjunto de canais
Scanner 7–14
Moving head wash 10–20
Moving head spot / beam 12–24
Híbrido 3 em 1, modelos top 25–40
💡 Dica: na maioria dos aparelhos, o modo com mais canais dá mais possibilidades (controle individual de cada LED, ou movimento de 16 bits). Mas se os canais estiverem apertados, escolha o modo mais modesto — muitas vezes a diferença não é crítica.

O que comprar primeiro: o conselho chato, porém honesto

O erro clássico do iniciante é comprar um único moving head caro. Um moving head sozinho num salão vazio fica pobre; a luz funciona em conjuntos.

Um primeiro kit sensato para uma casa pequena:

  1. Quatro PARs — o banho de cor, a base de toda a imagem.
  2. Um hazer — para que os fachos apareçam.
  3. Dois moving heads (spot ou híbrido) — movimento e acentos.
  4. Um strobo ou blinder — para os auges.

Um kit desses consome cerca de 60–80 dos 512 canais — ou seja, cabe com folga em uma linha DMX — e dá conta de um casamento, um evento corporativo ou um clube pequeno.

📍 Como isso aparece no SvetoMaster: ao adicionar um aparelho, você define o tipo dele (refletor, moving head, scanner, strobo, máquina de fumaça, laser etc.). O tipo influencia tanto o desenho do aparelho no visualizador 3D quanto quais ferramentas se aplicam a ele: efeitos de movimento só são oferecidos a aparelhos com giro, e o controle «Fumaça» do modo ao vivo vai para as máquinas de fumaça. Ou seja, informar o tipo direito economiza tempo depois.

Resumindo

  • Um aparelho se descreve por três perguntas: com o que ilumina, se se mexe, quantos canais consome.
  • PARs e refletores wash fazem o banho de cor; barras dão luz linear e efeitos de pixel; strobo, blinder e UV são aparelhos de um efeito só.
  • O moving head pode ser spot (desenho), wash (banho) ou beam (coluna densa); o scanner é rápido, mas cobre menos.
  • Fumaça ou névoa é obrigatória se você quer ver os fachos no ar.
  • O consumo de canais vai de 1–4 nos aparelhos simples a 40 nos moving heads top de linha.
  • A luz funciona em conjunto: banho de cor + atmosfera + movimento + acento.

A seguir: vamos tratar da propriedade mais visível da luz — a cor. Por que o branco do RGB sai acinzentado, no que um disco de cores difere dos LEDs, o que é CMY e por que o mesmo «azul» fica diferente em dois aparelhos diferentes.